love without questions

Outubro 13, 2009

“Na infidelidade não há abandono ou troca. Na traição há o comando do coração que tudo arrasta com ele. Não há maneira de o travar ou convencer. Ganha direitos, faz público o que era secreto, ignora os filhos, desmorona a casa, devora a herança. Mas a infidelidade é outra coisa. É um acto de cultura, porque dá experiência moral, altera a paisagem, renova as paixões, ilustra o sentimento e não banaliza o amor. Há mais casamentos que devem a sua constância à infidelidade do que se pode supor.”

Um cão que sonha – Augusta Bessa Luis

Feels good

Outubro 6, 2009

Aconteceu uma filtragem involuntária: o telemóvel descolou-se em dois bocados, mais ou menos involuntária (deixei-o cair 523 vezes), todos os contactos foram à vida e agora livrei-me de ter que conviver com todos os números dos nomes  que eu não me lembro quem são.

Outubro 1, 2009

“Oh se eu ao menos pudesse ter uma vida de sensações em vez de uma vida de pensamentos”

John Keats

Pixies go with Buster Keaton

Setembro 20, 2009

and i go with Pixies everywhere!

adoro este estado de tristeza estúpida ou triste estupidez.

lentamente ansiosa, quase sonolenta mas… é tudo tolice, daquela que nem dá pa reciclar:

i have no pain it’s just my youth screaming for life forever

oscilando a cada segundo o balde cheio derrama devagarinho

tenho sono mas está calor e ando meio nua pela casa, descalça de ventoinhas ligadas, estupidificando-me em frente ao espelho

give me summer…Felizmente o tempo mudou e vamos ter sol até Novembro (just a feeling)

uma noite de sono e tumba, cai o balde de vez

vazio pronto pa amanhã

até amanhã

Falta de pé

Setembro 3, 2009

Praia deserta_Sta MariaDebaixo das ondas o som do corpo submerso arrefece-me os sentidos, esqueço-me da tesoura que retira grão a grão a areia da frecha. Acabei de chegar à ilha do sol e num baptismo de tribo sem nome fiz um corte de cima abaixo na planta do pé. Apesar de estar nem aí, nesta situação o meu andar adquire comportamentos de sedução, involuntária portanto, atraíndo olhares que após uns segundos se transformam solidários dada a minha destoante ligadura banhada a areia fresca. Pensei em cortar o pé, como num corpo de boneca, sem cicatrizes. Concerteza ficaria com um andar ainda mais sexy, anca acima e abaixo, subindo degraus em piso horizontal mas depois o pé não crescia como as unhas e teria de arranjar pernatos (extensão da perna) adequados para a minha falta de pé, melhor pepatos. Torta no mar ou na piscina ficaria, mais rapidamente com menos pé em metade do corpo apoiado pela minha outra perna, a eterna bengala musculada com o tempo. Desequilibrada literalmente como faria o pino? E escalada? Excluída essa inclinação, voltando à sensação do corte: um saco de plástico serviu para uma viagem sem medo até à água. O saco desfez-se em dois tempos, dois passos, assim desnuda surge um gentil tarzan que a braços me carregou à toalha…um verão assim não se repete, já dizia o outro.

Olhar para uma única macia maçã funciona em mim como 2 goles de whisky velho – o mundo torna-se num lugar maravilhoso.

Embrieguei-me num sonho profundo com risos atrapalhados de quem faz amor pela primeira vez. Imaginação é tecido flexível que se molda consoante as vontades e as experiências que se vai sentindo numa alegre transformação. Nem o céu é o limite, podíamos ter feito na lua mas aqueles fatos não davam muito jeito mas também sem eles não teríamos ar para suar e gargalhar ou, plo contrário, o nosso ar era suficiente para encher a lua e fazer crescer relvinha com tanto oxigénio.

Posso apanhar maçãs de manhãzinha e ao final da tarde, à noite não, ficam guardadas dos dentes do meu sorriso rasgado.

A encontrar com maior frequência na linha verde.

Inspira

Julho 28, 2009

Não há legislação para a música como não há legislação para a doença. A natureza é ilegal e bruta e nós não somos natureza enquanto estamos vivos e ricos, com o corpo esquecido. Mas quando somos velhos somos natureza e quando estamos doentes somos natureza, e quando morremos somos ainda natureza.

E não ter dinheiro é isso: é ser mais natureza, estar mais dependente da falta de legislação que há na música e nos bichos: as coisas escuras amedrontam, tornam-te cobarde, escondes os teus filhos atrás do teu corpo, mas sabes que a bala virá por trás.

Gonçalo M. Tavares